VENCENDO A DEPRESSÃO: Uma Palavras de Esperança para Aqueles que Lutam com a Depressão
- A Redação

- 23 de set. de 2025
- 12 min de leitura
Atualizado: 19 de fev.

Ela é chamada tecnicamente de depressão, apesar de não podermos expressá-la em uma só palavra. Você se sente entorpecido, mas ao mesmo tempo sua cabeça dói; sente-se vazio, mas ao mesmo tempo há gritos no seu interior; sente-se fatigado, no entanto seus medos afluem. Aquilo que antes era prazeroso agora mal lhe chama a atenção. Seu cérebro está como que coberto permanentemente por uma neblina. É como se algo o puxasse para baixo. Você consegue se lembrar de quando tinha alvos? Coisa simples como ir ao cinema na sexta à noite ou um trabalho que esperava concluir.
Agora lhe restaram poucos alvos. Conseguir chegar ao fim de mais um dia já lhe parece suficiente. Já percebeu como fica a nossa vida quando não temos alvos? Todos os dias são iguais. Não há um ritmo de antecipação estimulante, satisfação e, logo depois, o descanso. Cada dia traz consigo uma monotonia mortal, e você teme que o dia seguinte seja praticamente igual. A monotonia da vida parece matá-lo aos poucos.
Seu sono? Está uma bagunça. Você nunca consegue dormir o suficiente. É impossível se lembrar de quando foi a última vez em que acordou e se sentiu renovado.
Você já viu os quadros que Pablo Picasso pintou quando estava em seu período mais sombrio? Se você tiver acesso a um livro sobre Picasso, talvez você queira dar uma olhada. Os quadros não são encorajadores, mas você descobrirá, pelo menos, que não está sozinho. Movido por dificuldades em um relacionamento, ele pintou uma série de quadros em que as pessoas parecem sem vida e os tons de azul e cinza predominam. Será que ele estava buscando expressar seus sentimentos por meio da arte ou queria apenas apresentar o mundo como, de fato, o que via? De um jeito ou de outro, não há dias ensolarados para a depressão, mas apenas um céu nublado e um mundo sombrio.
Picasso não foi o único que lutou com o que viria a ser chamado de depressão. Abraham Lincoln, Winston Churchill, o grande pregador inglês Charles Spurgeon, o missionário David Brainerd e o tradutor da Bíblia J.B. Phillips são alguns nomes bem conhecidos que falaram e escreveram sobre suas lutas.
Portanto, embora você se sinta sozinho, muitos já trilharam este caminho antes e muitos o estão trilhando neste momento. Se você está familiarizado com o que foi dito até aqui, continue a ler. Você já tem razões para ter esperança. O fato de estar disposto a ler este artigo já é por si só um passo significativo.
Este artigo pretende ser o mais breve possível – um mapa bem simples para lhe mostrar o caminho através do vale da depressão. Se discordar de alguma coisa, argumente. Se lhe parecer muito pesado, pare, dê um tempo e volte a lê-lo mais tarde.
Mais à frente, você verá que o mapa o levará em direção a Jesus Cristo, rumo a uma Pessoa, mais do que a técnicas. Algumas pessoas dizem: “Jesus não funciona!” ou “Já tentei este caminho e continuo deprimido”. Mas considere este fato: Jesus diz ser o caminho, a verdade, a vida, a fonte de esperança, Aquele que ama nossas almas, um servo, irmão e amigo, Aquele que ouve e age, e nunca nos deixará. Não há nenhum remédio ou terapia que nos prometa isso com tanta clareza.
Se Jesus e os ensinamentos das Escrituras lhe parecem chavões sem valor, lembre-se de que neste momento tudo lhe parece de certo modo vazio e sem valor. O que de algum modo lhe parece banal ago ra soará profundo mais tarde, quando a certeza desta realidade começar a se tornar mais clara.
Como posso fazer alguma coisa se não sinto vontade de fazer nada?
Aqui está o problema. Em sua maioria, as pessoas fazem alguma coisa porque sentem vontade de fazer. Elas se levantam de manhã porque sentem que devem ir para o trabalho, sentem vontade de evitar as perguntas do seu chefe sobre a razão de estarem atrasadas ou sentem vontade de evitar a pobreza. Somos dirigidos por sentimentos mais do que imaginamos.
Quando se está com depressão, os sentimentos parecem ausentes. Ou melhor, seja o que for que você sinta, nunca será algo que o motivará a fazer uma coisa proveitosa. Por exemplo, você sente vontade de morrer, gritar, correr, desaparecer, ignorar. Como as pessoas dirigidas por seus sentimentos podem estabelecer alvos, propósitos, ou serem motivadas, quando elas não sentem?
De início, será necessário aprender uma maneira nova de viver. Precisará ser como aquela mulher cujos músculos continuavam a funcionar, mas haviam parado de transmitir informações sobre os membros. Ela não estava paralisada, mas se fechasse seus olhos não poderia dizer se estava de pé, segurando algo ou deitada. Por vezes, ela se olhava no espelho e percebia que estava com o seu braço direito esticado em direção ao teto sem ao menos percebê-lo. Nem andar lhe era possível, porque não conseguia sentir onde estavam suas pernas. Progressivamente, olhando no espelho para ver seu corpo em lugar de senti-lo, ela passou a andar novamente. Depois de muito treino, caminhar voltou a ser algo natural. Mas ela precisou aprender uma nova maneira de viver e se movimentar.
Quando se está com depressão, a nova maneira de se viver é acreditar e agir de acordo com o que Deus diz, ao invés de sentir o que Deus diz. Isso é viver pela fé. Parafraseando Hebreus 11.1, “fé é a certeza das coisas que não se sentem”. Em outras palavras, quando há uma luta entre o que seus sentimentos dizem e o que as Escrituras dizem, as Escrituras ganham. Qualquer outro resultado seria como dizer a Deus que é impossível depositar a confiança nEle. “Deus não está dizendo a verdade. Não posso acreditar nEle. Só posso acreditar em mim mesma.” Imagino que isso não é o que você quer dizer. Provavelmente, você queira dizer que não entende o que Deus está fazendo, sem negar que Deus fala a verdade. Negar o que Deus diz seria em si uma mentira. Não acredite nisso. Deus é a verdade.
Aqui está um exemplo dessa nova maneira de viver. Você sente como se não tivesse nenhum propósito ou esperança. Não há razão para sair da cama, trabalhar, amar ou viver. Esse sentimento o toma por completo. Deus, no entanto, contraria esse sentimento a cada página das Escrituras. Por exemplo, “amai-vos de coração uns aos outros, ardentemente” (1Pe 1.22). Esta é uma declaração de propósito. É uma razão para se levantar da cama. Você tem que lutar contra os seus sentimentos paralisantes para que possa amar a outra pessoa. Por que se importar com isso? Porque é a ordem pessoal dada pelo próprio Deus, o Rei dos reis.
Se você é um servo do Rei – o que, de fato, você é – e Ele lhe pede algo, você acabou de receber um propósito para viver. Apenas quando o Rei disser que não precisa mais do seu serviço é que você não terá mais um propósito, e isso, claro, nunca acontecerá com o Deus verdadeiro. Ele diz que Seus propósitos para você duram por toda a eternidade.
Colocando o seu propósito em termos bem amplos, a sua tarefa é glorificar e go- zar a Deus (1Co 10.31). Glorificar a Deus quer dizer fazer o Seu nome famoso. A honra e a reputação de Deus tornam-se mais importantes do que a sua própria.
Glorificar a Deus. Isso lhe parece ser um clichê? Apesar de parecer impraticável, é na verdade algo muito concreto, que você pode realizar por meio de passos pequenos de fé e obediência. Outros podem nem perceber, mas se você faz todas as coisas por causa de Jesus e daquilo que Ele fez por você – desde pentear seu cabelo até vender tudo o que tem e se tornar um missionário – então você está glorificando a Deus.
Quer um incentivo palpável? Há muitas evidências nas Escrituras de que quando você procura a Deus e ao Seu reino, seus problemas ficam mais leves (2Co 4.16,17).
Ouça
Enquanto você trabalha em uma declaração clara de propósito, você precisa de alguém para ajudá-lo a cultivá-la, lembrá-lo dela constantemente e lê-la para você. A esta altura, o seu trabalho será o de ouvir. Até aqui você tem dado atenção aos seus próprios pensamentos; mas agora você deve ouvir o que Deus diz em Sua Palavra e o que Ele diz por meio das pessoas.
Ouvir parece algo passivo, mas é um trabalho árduo. O livro de Tiago lembra que somos propensos a “simplesmente escutar”, como aqueles que se olham no espelho e rapidamente se esquecem de como se parecem (Tg.1.22-24). Então, quando você ler ou ouvir sobre a verdade e o amor, não apenas escute, mas ouça.
Sobre o que você irá ouvir? Quando o Deus trino fala, inevitavelmente Ele fala sobre Jesus. Jesus é Aquele que teve compaixão pelos que sofrem, e Ele os entende porque Sua dor excedeu a nossa própria. Você já percebeu que quando ouve sobre o sofrimento de outra pessoa, especialmente quando este sofrimento é intenso e esmagador, os seus próprios problemas parecem mais amenos? Ouvir sobre o sofrimento alheio, no mínimo, desvia a nossa atenção das nossas dores e nos faz perceber que não estamos sozinhos. É isso o que acontece quando olhamos para Jesus e o ouvimos.
Continue a ouvir. Mesmo que você se sinta rejeitado pelos outros, Jesus não o rejeitará (Sl 27.10). Volte-se para Ele com fé – nem que seja um grãozinho de fé – e Ele nunca o deixará nem abandonará (Hb 13.5). Ele promete isso a você.
O amor nem sempre o motiva? Então considere isso. Na presença de Deus há amor que levará toda a eternidade para começar a ser compreendido. Se isso não o motiva agora, mais tarde o fará. O amor de Deus é como o de um bom pai para com seu filho que não entende todos os detalhes do amor paternal. Em outras palavras, a criança pode
ocasionalmente pensar que seu pai não é amoroso, mas o amor de um pai é mais profundo e belo do que uma criança pode en-tender. A criança está desesperada porque não pode mais brincar na lama, mas seu pai a está banhando para levá-la a uma viagem para Disneylândia. Se você não consegue ver este amor, então continue a ouvir o evangelho. Sua mensagem diz que, de acordo com o plano de Deus, Jesus morreu por pecadores como nós. Este é um amor maravilhoso e profundo. Se isto não lhe parece maravilhoso, talvez você tenha esquecido que é um pecador. Jesus não morreu por pessoas boas que necessitavam de um encorajamento espiritual; Ele morreu para trazer de volta para a Sua família inimigos alienados e condenados. Deus ainda diz muito mais, mas é muito fácil se perder em meio a tudo isso e começar a pensar “nada disso está me ajudando”. Como foi dito por uma mulher, “Nenhuma quantidade de amor de ou para alguém – e houve muito amor – poderia me ajudar. Possuir uma família carinhosa e um emprego fabuloso não eram suficientes para que eu superasse a
dor e o desespero”.
Pense
Se você está deprimido e ouve os seus pensamentos, provavelmente perceberá que eles são sombrios, pessimistas, sem esperança e críticos tanto em relação a você como em relação aos outros. Quando estes pensamentos começam a surgir, é difí- cil que parem até que você chegue ao desespero mais profundo. Por exemplo, se alguém está falando sobre Papai Noel, você começa a pensar que também é gordo e que todos estão rindo de você pelas costaspor causa do seu peso. Se alguém o elogia por um serviço bem feito, você tem a certeza de que isso foi dito em preparo para a notícia de que será despedido ou, então, se esta pessoa soubesse o tipo de trabalho que você realizou, ela iria despedi-lo ime- diatamente, e...
Este processo mental é automático. Basta acionar um botão, e ele prossegue em piloto automático. O fato de sentir que sua mente está envolta em contínua neblina significa que você não se sente capaz de fazer uma força digna de Hércules para realizar as correções mentais necessárias.
Você deve começar a pensar – não mais de forma automática, mas de forma propo- sital. Seus pensamentos devem ser guiados pelas Escrituras. Trabalho duro? Sim. Qualquer esforço mental será trabalhoso. Mudanças imediatas? Provavelmente não as que são óbvias para você. Mas você deve fazê-lo. Seus pensamentos atuais pendem para a falta de esperança e o desespero. Você deve se dispor a entrar em uma briga.
Se você está relutante em trabalhar com seus pensamentos, então precisa se questionar se realmente quer mudar. Pode soar estranho, mas muitas pessoas não querem mudar. O trabalho exigido não parece valer a pena, elas odeiam pensar que terão que encarar o fato de não estarem mais deprimidas, ou são tão fiéis ao estilo de vida que vêm levando que preferem que o mundo ao seu redor mude.
Pense. Você realmente quer mudar?
Se achar que está mais relutante à mudança do que pensa, você deve voltar e repensar seu propósito. Algumas pessoas usam seus filhos como uma motivação para mudar, mas os filhos não são uma razão suficientemente poderosa. Seus pensamentos sombrios o fariam acreditar que seus
filhos e todos os outros a quem conhece se sairiam bem melhor sem você por perto. A única razão suficiente para mudar é que você foi chamado para representar Deus na terra, Ele é o seu mestre amado e você, um filho, servo, embaixador – escolha o que quiser. Você vive por causa dEle.
Se isto não é o suficiente, então talvez deva voltar a ouvir. Peça que alguém lhe diga quem é Deus. Quando sua mente está envolta em neblina, é difícil lembrar-se sozinho da verdade, por isso peça que al- guém o ajude. Peça que alguém lhe diga que Deus é o criador, Ele vive e enviou Jesus para morrer pelos pecados de pessoas como nós, que O ignoraram e se tornaram inimigos de Deus. Peça que alguém o convença de que Deus é bom. Peça que repitam a verdade até que ela lhe soe como uma boa nova e você passe a acreditar nela. Pense nisso. Se não estivesse deprimido, você estaria maravilhado pelo que Deus tem feito. Você se curvaria em adoração, como muitos outros que compreenderam o amor e a presença de Deus, e diria: “Eu não sou digno, mas estou grato”. Não desista de ouvir estas verdades. Elas são capazes de mudá-lo. Não desista.
O que diz a sua depressão? O que isto significa?
Enquanto você tenta ouvir sobre Cristo e seu propósito de vida, o próximo passo é perguntar-se: “O que os meus sentimentos querem dizer?”. Os seus sentimentos dizem muito sobre você.
É assim com todas as emoções: medo, raiva, ansiedade, receio, e assim por diante. Elas são provocadas geralmente por alguma circunstância, mas são a sua resposta e a sua interpretação dos eventos. Em outras palavras, elas revelam quem você é. Por exemplo, se inesperadamente você receber uma conta para pagar, isso o levará a se preocupar com sua situação financeira. Mas se você está cronicamente obcecado e temeroso sobre seu futuro financeiro, o medo revela onde está sua confiança: ela está em você e não em Deus. Suas emoções revelam muito sobre você.
Moisés disse a mesma coisa aos israelitas quando eles andavam pelo deserto. Ele os ensinou a ver que as dificuldades da vida no deserto os testavam “para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus [de Deus] manda- mentos” (Dt 8.2). Quando os israelitas estavam descontentes, e por vezes até com raiva, eles falavam mais a respeito de si mesmos do que do deserto.
O mesmo acontece com a depressão: ela diz algo sobre o seu coração. A pergunta é: O quê? Você deve parar e pensar. Considere algumas destas possibilidades. Qual delas expressa melhor o seu senti- mento de desânimo?
“Estou com medo.”. Medo de tomar uma decisão errada, falhar, ser expos- to, perder alguém que amo, ser abandonado, perder o controle da situação, morrer, pegar uma doença, que me incapacite ver a Deus, tudo.
“Sou culpado” ou “Estou envergonhado”. Culpado de meu próprio pecado. De não conseguir alcançar meus padrões de sucesso ao invés dos de Deus. De não ser aprovado pelas pessoas cujas opiniões são mais importantes para mim do que a opinião de Deus. De viver como se tivesse que pagar a Deus pelos pecados que cometo quando, na verdade, a maneira com que devo glorificar a Deus é concordando que Ele já pagou por tudo. De uma consciência que está fazendo julgamentos sem ter todas as informações (i.e. estou carregando a responsabilidade pelos pecados de outras pessoas).
“Perdi alguma coisa”. A depressão geralmente nos faz sentir vazios, como se tivéssemos perdido alguém ou algo. Talvez possa ser um emprego, a saúde, a juventude, dinheiro ou uma pessoa. É como se alguém próximo tivesse morrido. Mas depressão é muito mais do que uma perda. É uma perda desesperadamente incontrolável. É como se o que se perdeu fosse um deus para você, algo em que estavam depositadas toda a sua esperança e confiança.
“Preciso de alguma coisa”. A depressão está dizendo que você precisa de amor, respeito, valor ou qualquer outro desejo psicológico? Todos gostamos dessas coisas quando as pos- suímos, mas por vezes elas recebem mais peso do que deveriam. Já per- cebeu o que acontece quando seus desejos se tornam a coisa mais im- portante para você? Eles se trans- formam em necessidades. Você sente como se precisasse deles para viver. Isso é cobiça, e a cobiça sempre nos faz querer mais e mais. Ela nunca se dá por satisfeita. Sempre se sen- te vazia.
“Estou com raiva”. Geralmente senti- mos raiva por não termos conseguido
o que queríamos de alguém ou do próprio Deus. Talvez isso não signifi- que que você tenha pensamentos ho- micidas ou arregace as mangas e mostre seus punhos a Deus, embora fosse possível fazê-lo. Procure pelas expressões mais amenas da raiva, como reclamar, murmurar, não per- doar ou ter pena de si mesmo. Se você não encontrar nenhuma delas, olhe de novo. Com certeza elas estão lá.
w “Eu quero fugir de alguma coisa”. Pen- se em qual é a parte desagradável de não se estar mais com depressão. Será que você terá que encarar coisas das quais quer fugir como, por exemplo, alguém, dificuldades financeiras ou responsabilidades que trazem em si a possibilidade de um fracasso? Talvez a neblina mental e a fatiga física da depressão o ajudem a evitar pensar em uma situação ou pessoa específica.
w “Ai de mim!”. As pessoas que estão acostumadas a tratar de pessoas depres- sivas conseguem facilmente identifi- car a linguagem da autocomiseração. “Se ninguém mais tem pena de mim, eu mesmo o farei.” Isso pode ser mor- tal. Quer dizer que você vive como uma vítima ao invés de viver como alguém que recebeu graça e miseri- córdia infinitas.
w “Eu não tenho esperança.” Se isso lhe soa familiar, então você deve fazer ou- tra pergunta: “Esperança para que?” Es- perança de se livrar da depressão? Tal- vez você esteja esperando por muito pouco.
...gloriemo-nos na espe- rança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriemos nas próprias tribu- lações, sabendo que a tribula- ção produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, por- que o amor de Deus é derra- mado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Rm 5.2-5).
Esta passagem das Escrituras é difícil de ser entendida, mas ela deixa algo bem definido. O apóstolo Paulo, autor da carta, estava sofrendo muito, mas de alguma maneira aquilo não o abalou. O seu tra- balho é descobrir o segredo de Paulo, que ele parece muito disposto a revelar. Aqui vai uma dica: “Considerai, pois, atenta- mente, aquele que suportou tamanha opo- sição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vos- sas almas” (Hb 12.3). Paulo manteve seus olhos fixos em Jesus. Quando desviamos nosso olhar de Jesus, a estrada começa a tornar-se interminável. Ficamos conven- cidos de que não temos forças para enfrentá-la. Mas quando vemos que Jesus – o Conhecedor dos corações – já trilhou esta estrada antes de nós, então ganhamos confiança de que o Espírito nos dará a força necessária para seguirmos em obediência e fé humildes.
E não foi somente Jesus quem trilhou este caminho de esperança, antecipando a glória que está por vir. Como nos indica Hebreus 11, o caminho já foi utilizado e frequentado por santos do passado e do
presente. Embora as pessoas deprimidas se sintam absolutamente sozinhas, elas fazem parte de uma procissão enorme de pessoas que estão indo em direção ao céu.
w “Eu sei que o meu Redentor está co- migo, e esperarei humildemente por libertação.” Quando a fé é testada, como de fato acontece durante a de- pressão, às vezes o que se revela é um coração que confia no Senhor. Você tomou a decisão de seguir a Deus não porque Ele o faz se sentir melhor, mas porque Ele é Senhor de tudo, o Pas- tor amado, o Pai eterno. Não há mais ninguém a quem se possa seguir. Cla- ro que você não entende o que está acontecendo agora, mas sabe que Ele é o Deus que está com você, e isso basta.
O que a sua depressão está dizendo? Essa é uma breve lista de algumas das ex- pressões mais comuns do coração. Há muito mais do que isso. Se você não con- segue compreender o significado da sua depressão, ainda há muito o que fazer. Ouvir do Evangelho de Cristo, conhecer Seu propósito e agir de acordo com ele já é um grande trabalho em si. Mas sempre pergunte a você mesmo o que a sua de- pressão diz.
Confie no Senhor e adore-O com exclusividade
Enquanto você pensa sobre o signifi- cado das suas emoções, perceberá que, em vez de ser levado para um desespero cada vez maior, o caminho o levará ao Deus trino. Mais especificamente falando, ele o levará a esta pergunta: Você quer viver para
Deus ou viver para si mesmo e para as coi- sas que costuma adorar? Às vezes leva um tempo até chegar às perguntas mais críti- cas, mas elas sempre estão presentes na sua vida. Geralmente tudo o que você deve fazer é agir como uma criança de três anos e perguntar os “porquês”.
“Não consigo ir adiante.” “Por quê?”
“Porque estou tão cansado que não con- sigo mais carregar esta dor.”
“Por quê?”
“Porque sinto como se estivesse sozi- nho”
“Por quê?”
“Porque... Não acredito que Deus es- teja comigo”
“Por quê?”
“Porque... não confio nEle. Confio nas minhas interpretações, que vêm dos meus sentimentos”.
Ao se perguntar os porquês, você será levado a Deus. Talvez fique cansado das perguntas assim que completar a segun- da rodada, mas continue a respondê-las. No final, diga: “Jesus é o meu Senhor, eu confesso minha incredulidade e confio nEle”.
Confiar, confessar os pecados e se- guir a Cristo em obediência – isso lhe pa- rece familiar? Essas são as bases da vida espiritual. Abaixo da superfície, essas são coisas essenciais. E você perceberá que elas funcionam. Se elas lhe parecerem superfi- ciais, então você está entorpecido e não percebe os segredos do universo, portanto volte a “ouvir”. Não acredite no que as suas emoções estão lhe dizendo. Estes passos podem lhe parecer algo simples, mas não é simplista. Eles são fundamentais e cons- tituem os meios principais de responder- mos a Deus.
Confesse seu pecado ao Pai Celestial
Confie em Cristo, confesse seu peca- do, obedeça Àquele que o ama: dos três, confessar seus pecados pode parecer inici- almente desencorajador. A ideia de lidar com seus pecados pode fazer com que você se sinta pior. Mas pense.
w Se o Espírito de Deus permite que você veja o pecado em sua vida, você tem boas evidências de que é mes- mo filho de Deus. Você não pode ver seu próprio pecado se Deus não o revelar.
w Confessar seus pecados deve ser uma parte normal da sua rotina diária, quer esteja ou não deprimido (Mt 6.9-13).
w Confessar seus pecados não coloca em risco o seu relacionamento com Deus. Apenas o fortalece. Se cremos em Jesus, então o julgamento divi- no do nosso pecado já caiu sobre Cristo, não em nós mesmo. Confes- sar nossos pecados faz-nos lembrar que Cristo já pagou pelo nosso pro- blema mais profundo e temos razões para ser gratos.
Aqui está a regra. Se você considera o que sua depressão diz e isso o conduz ao relacionamento com Cristo, então não pare esta jornada até ouvir as boas novas. A Palavra de Deus sempre nos ensina a chegarmos a Jesus e às palavras que soam como boas novas para nossos ouvidos. Então, não pare em “Miserável homem que sou...” Com certeza você o é, mas não pare por aí. “Graças a Deus
por Jesus Cristo, nosso Senhor...” (Rm 7.24-25). Lembre-se de que se sua fé está em Jesus, você é perdoado, adotado e amado. Você precisa começar a pensar do modo que Deus pensa, e não do seu modo.
Dê passos práticos de amor e obediência
A lista que segue inclui várias aplica- ções das Escrituras. A ideia básica é que a fé expressa-se em ações.
1. Escolha um texto bíblico, leia-o atentamente várias vezes e escreva 25 aplicações (ou 5, 10, 50 aplica- ções). Talvez isso pareça impossível, mas assim que você ultrapassar a décima aplicação, as demais virão com maior facilidade. Não se esque- ça, sua mente facilmente perde a direção. Ela está fatigada. Será di- fícil focalizar em apenas uma coisa, mas com certeza isso o ajudará.
2. Escreva cinco maneiras pelas quais você foi abençoado por um amigo. Envie-as a ele.
3. Escreva sua declaração de propósi- to de vida. Permita que outros a re- visem. Memorize-a e viva-a.
4. Torne-se um expert no que Deus diz aos que sofrem. Talvez você queira começar por Hebreus 10-12. Esses capítulos o chamam à fé e esperan- ça, e depois apontam para Jesus. Mas não é apenas isso. As Escrituras também nos apontam para outras pessoas: fé em Deus e amor ao pró- ximo. Neste caso, ela diz: “Segui a paz com todos” (Hb 12.14). Como você pode ser um pacificador? A
quem você precisa perdoar? A quem você precisa pedir perdão?
5. Anote os sermões de domingo. Co- loque-os em prática.
6. Fale ou escreva cada dia algo que possa servir de encorajamento para outros. Você tem um chamado. Há pessoas para serem amadas, cuida- das e ajudadas.
7. Procure a cada dia, ouvir a Palavra de Deus, músicas que apontem para Cristo ou uma pessoa que tenha sa- bedoria espiritual. Seja capaz de re- sumir o que ouviu e contar sobre isso a outra pessoa.
8. Mantenha-se atento contra as re- clamações e murmurações. Assim como a fofoca, estes são alguns pe- cados aceitáveis na nossa cultura, e logo deixamos de perceber suas raízes terríveis. O que significa re- clamar e murmurar? Você consegue enxergar porque estes pecados ofen- dem a Deus?
9. Considere as seguintes perguntas: Será que os benefícios do sofrimen- to foram esquecidos em nossa cul- tura? Quais são os possíveis benefí- cios do sofrimento? (Sl 119.67, 71;
2Co 1.8-10; Hb 5.8; Tg 1.3).
10. Peça que algumas pessoas orem por você e encoraje-as a lhe dizer a ver- dade. Quando fizer seus pedidos de oração, peça mais do que o simples alívio da depressão. Use isso como a oportunidade de orar grandes ora- ções. Procure as orações escritas nas Escrituras. Por exemplo, peça a Deus que você conheça o amor de Cristo (Ef 3), seja mais semelhante a Jesus (Rm 8.29), ame aos outros
e seja capaz de discernir o que sig- nifica glorificar a Deus.
11. Quando for tomado pela dúvida, mostre amor para com outra pes- soa de maneira criativa.
Pensamentos finais
A depressão é trabalhosa. Não é possí- vel eliminá-la sem uma briga. Mas há boas razões para se comprar esta briga. As mu- danças são garantidas (Fp 1.6). Você está na presença do “... Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!” (2Co 1.3) Você acredita nisso? Pense nisso. Quando você considera que o Pai enviou Seu Filho – Seu amado e único Filho – para morrer por nós quando ainda éramos seus inimigos, não há razão para pensar que Ele será parcimonioso em Seu amor e compaixão por nós, agora que O conhecemos como Pai.
Às vezes, no entanto, insistimos na nossa própria definição de compaixão. Compaixão pode significar “fazer com que a miséria desapareça rapidamente”. Ao contrário, você deve acreditar que o amor e a compaixão de Deus excedem nossa própria imaginação, deixando para trás nosso entendimento. Ele quer cercá-lo de graça e torná-lo cada vez mais parecido com Jesus.
Portanto, não desista. Sua vida tem um propósito. Deus está agindo. Você é um servo do Rei, um filho que represen- ta o Pai, e logo terá o privilégio de “con- solar aos que estiverem em qualquer an- gústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.” (2Co 1.4). O corpo de Cristo precisa de você.
PERGUNTAS COMUNS?
O que já ajudou outras pessoas?
Pedimos a algumas pessoas que passa- ram por momentos de depressão e os supe- raram que completassem esta sentença: “Vi mudanças na minha depressão quando...”
1. Comecei a falar comigo ao invés de ouvir a mim mesmo. Comecei a citar diferentes versículos das Escrituras ao invés de ouvir as vozes de desespero que havia dentro de mim.
2. Parei de dizer: “Isso não funciona”. Eu estava sempre à procura de uma solução mágica. Eu orava (tentando fazer acordos com Deus), olhava para o meu próprio coração (por um ou dois minutos), tentava me envolver com algo espiritual, e quando não fun- cionava, eu desistia. Agora eu acredi- to que funciona. Há contentamento, e até alegria a longo prazo, em pe- quenos passos de fé e obediência.
3. Eu tinha um amigo e um pastor que sempre mantiveram a lembrança da obra de Deus à minha frente. A de- pressão tornou meu mundo peque- no; quando eu vi que Deus estava ativo, comecei a ter esperança.
4. Minha filha ficou muito doente. Isso forçou-me a olhar além do meu pró- prio mundo.
5. Uma amiga não desistiu de mim. Ela estava sempre ao meu lado, demons- trando seu amor e me levando em direção à verdade, mesmo quando eu não queria ouvir sobre Jesus.
6. Uma amiga me “emprestou” sua fé. A minha fé era tão fraca, mas eu sem- pre via que minha amiga tinha certe- za da presença e do amor de Deus pela Igreja e até mesmo por mim.
7. Eu perdoei meu pai e entreguei o problema a Deus.
8. Eu percebi que 90% da questão era orgulho. Sentia-me como se merecesse certas coisas das pessoas.
9. Comecei a perceber que estava em uma batalha e vi que tinha que lutar.
10. Percebi que em meu coração eu es- tava fazendo somente o que queria fazer. Por exemplo, se queria alimen- tar raiva e reclamar, eu o fazia.
11. Comecei a conhecer a graça de Deus. Comecei a perceber que cha- furdar na culpa, conforme eu esta- va fazendo, era uma expressão mais de justiça própria do que de triste- za genuína.
12. Um dia descobri que era bom ver meu pecado – era uma evidência do amor de Deus e da obra do Espírito na minha vida.
13. Comecei a dar um passo após o outro e a trabalhar com as responsabilidades que Deus me deu para cumprir.
E os recursos para aliviar os sintomas?
E tomar medicamentos antidepressi- vos? Mudar a dieta? Aderir à cromotera- pia? Seguir um programa de exercícios físicos? Fazer uma viagem de férias? Tal- vez você já tenha tentado algumas dessas coisas que podem às vezes aliviar a severi- dade de certos sintomas da depressão. Você deve recorrer a elas ou não?
A decisão final é sua. Tome uma deci- são sábia e bem pensada. Converse sobre isso com as pessoas. Quais são os riscos e os benefícios? Quais são as alternativas? Faça algumas pesquisas.
Entenda que não há nenhuma cura milagrosa. Se algum destes recursos o aju- dar, ainda assim você deve se fazer pergun- tas sobre o que a depressão está dizendo a seu respeito e deve continuar a buscar cres- cimento em Cristo. A depressão revela quem nós somos, e não apenas a composi- ção química do nosso cérebro. Portanto, não defina seu problema como somente espiri-
tual ou somente físico. Ao contrário, pense no problema como uma oportunidade para considerar seu próprio coração.
Ao fazer isso, sua depressão tenderá a enfraquecer significativamente. Pode ha- ver um problema físico ou químico? Tal- vez. Mas qualquer tipo de problema con- tinua sendo uma ótima ocasião para o cres- cimento espiritual.



Comentários