UTI
- Cleonice Pereira

- 23 de set. de 2025
- 1 min de leitura

Quando o inevítável chega
Devagarinho, silencioso instala pelo corpo
Dor, medo, insegurança, desespero e pavor
Deitado na cama entrelaçados pelos gigantesco e numerosos aparelhos
Exames, medicamentos e abundãncia.
Algumas agulhadas de cá, outras de lá
Perdido no tempo, e
Quando O inevitável, chega sem dó e sem piedade
num piscar de olhos
Recebe o bom dia da morte
Apavorado, aterrorizado, indignado,
PáLido e estarrecido
Clama pela vida, com toda a força.
Vida seu único propósito
Quando o inevitável chega como furacão
Destruindo o vigor e a robusteza corporal
Sons dos aparelhos é a músicca cotidiana
Maravilhosos lindos e perfeitos
Acompanhado da fragrança de medicamentos
Viaja pelo passado e relembra dos dias
Maravilhosos, e lindos e perfeitos
Relembra dos amigos de infância, da escola e
Até da professora chata.
Sente saudade das intrigas e dos dias
Difícieis e complicados
Maior desejo é sentir um abraço forte e
Um aperto na mão
Beijo na boca da pessoa amada é o maior
Sonho, devaneio e fantasia.
Quando o inevitável chega como um vulcão
Destruindo a vitalidade corporal
Atormentado pela bruta, triste, e única verdade
Pensa no que daria pela vida
Daria, milhões, trilhhões, daria tudo
Daria todos os bens e ficaria sem nada
Apenas para viver só mais alguns segundos de vida
Alguns são destinados a receber o tchau da morte
Voltar para a casa, nova vida, incontáveis
Perspectivas, inúmeros sonhos.
Outros recebem um forte e incontrilável abraço da morte.



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